Justiça / Segurança
Jairinho é condenado a mais de 43 anos pela morte de Henry Borel; Monique recebe perdão judicial
Após dez dias de julgamento no Rio de Janeiro, júri condenou o ex-vereador por homicídio qualificado, tortura e coação
04/06/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. A sentença foi lida na madrugada desta quinta-feira, 4 de junho de 2026, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, após dez dias de julgamento.
Os jurados consideraram Jairinho culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A decisão foi proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro, que conduziu o júri.
Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio doloso afastada pelo Conselho de Sentença. Os jurados entenderam que, no caso dela, não houve intenção de matar. A conduta foi desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de provocar a morte.
A magistrada concedeu perdão judicial a Monique pelo homicídio culposo. Ela também foi condenada a 1 ano e 4 meses de detenção, em regime aberto, por omissão diante das agressões sofridas pelo filho, mas a pena foi considerada cumprida em razão do período em que permaneceu presa durante o processo.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, no Rio de Janeiro. Na época, Jairinho era companheiro de Monique. Os dois foram presos em abril de 2021, durante as investigações sobre o caso.
O julgamento começou no dia 25 de maio de 2026 e terminou na madrugada desta quinta-feira. Ao longo das sessões, foram ouvidos peritos, policiais, médicos, familiares e pessoas ligadas aos réus. Os interrogatórios de Jairinho e Monique ocorreram na terça-feira, 2 de junho.
Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro fez críticas duras à conduta do ex-vereador. A magistrada afirmou que Jairinho demonstrou comportamento marcado por dissimulação e ressaltou a vulnerabilidade da criança.
A juíza também apontou que Henry, por ter apenas 4 anos, estava em condição de extrema fragilidade. Segundo a decisão, o menino foi submetido a sofrimento físico e psicológico antes da morte.
Durante a leitura da sentença, Jairinho não permaneceu na sala de audiências. Ele ouviu a condenação do lado de fora, no corredor do tribunal. A defesa do ex-vereador informou que pretende recorrer e buscar a anulação do julgamento.

Monique Medeiros, por sua vez, acompanhou a leitura da decisão diante da magistrada. Ela se emocionou ao receber o perdão judicial em relação ao homicídio culposo. Após a decisão, voltou-se para a plateia e fez um gesto com as mãos.
Ao justificar o perdão judicial concedido à mãe de Henry, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que Monique enfrentou uma reação social considerada desproporcional ao longo dos últimos cinco anos. A magistrada também mencionou que a cobrança sobre mães, em casos como esse, costuma ser maior do que a direcionada aos pais.
Segundo a juíza, o julgamento público envolvendo Monique foi influenciado por questões de gênero. Na avaliação da magistrada, a situação teria recebido tratamento diferente caso o réu fosse o pai da criança, e não a mãe.
Além de Jairinho e Monique, o júri também condenou o médico Jefferson Evangelista Corrêa, que atuou como assistente técnico da defesa do ex-vereador. Ele foi condenado pelo crime de falsa perícia, após acusação de apresentar informações incompatíveis com as conclusões dos peritos oficiais.
A sentença ainda determinou o pagamento de R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel. O valor deverá ser pago exclusivamente por Jairinho.
O caso teve grande repercussão nacional desde 2021. Inicialmente, Jairinho e Monique afirmaram que a criança teria sofrido uma queda no apartamento onde moravam, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A investigação, porém, apontou inconsistências na versão apresentada pelo casal.
A morte de Henry Borel também teve impacto legislativo. O caso inspirou a criação da Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que endureceu medidas de proteção e punições relacionadas a crimes contra crianças e adolescentes.
Nos bastidores do julgamento, a defesa de Jairinho tentou adiar e questionar a realização do júri em diferentes momentos. Em uma das sessões anteriores, advogados chegaram a deixar a sala de audiências alegando falta de acesso a provas. A juíza classificou a conduta, na ocasião, como um ato que atentava contra a dignidade da Justiça.
Antes da leitura da sentença, Elizabeth Machado Louro fez agradecimentos aos profissionais que atuaram no julgamento e comentou a atuação da defesa do ex-vereador. A magistrada afirmou que a banca de Jairinho “deu muito trabalho”, mas disse ter aprendido a gostar dos advogados.
Com a condenação, Jairinho seguirá preso. O Ministério Público e as defesas ainda podem apresentar recursos contra pontos da decisão.
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