Palmas (TO), Sexta-feira, 26 de Junho de 2026

Política / Defesa

Lula promete incluir defesa nacional em plano de governo e cobra reforço das Forças Armadas

Presidente afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade estratégica diante de tensões internacionais e da produção de armas no mundo

26/06/2026

15:00

DA REDAÇÃO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (26) que pretende incluir a defesa nacional em seu programa de governo para a próxima eleição. Segundo ele, o Brasil precisa assumir um compromisso público sobre o tipo de estrutura militar que deseja manter, em um cenário internacional marcado por conflitos, disputas territoriais e ampliação da produção de armamentos.

A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento e batismo da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC). No discurso, Lula disse que não deseja guerra, mas defendeu que o país esteja preparado para não ser surpreendido em caso de agravamento das tensões globais.

“Pela primeira vez eu vou colocar a questão da defesa nacional no programa de governo, que é para a gente poder assumir compromisso público com que tipo de defesa a gente vai querer neste país”, afirmou o presidente.

Lula citou o debate sobre a não proliferação de armas nucleares durante a Assembleia Constituinte e disse que, apesar dos compromissos assumidos à época por países que já possuíam esse tipo de armamento, o cenário internacional caminhou em outra direção. Segundo ele, nações como Paquistão, Coreia do Norte, Índia, China, Rússia e Estados Unidos mantiveram ou ampliaram suas capacidades militares.

O presidente também afirmou que, enquanto outros países reforçaram seus sistemas de defesa, a indústria brasileira do setor chegou a enfrentar um período de forte fragilidade. Para Lula, a retomada de investimentos é necessária para garantir soberania e capacidade de resposta.

“Eu não quero guerra. Mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu não quero constatar que eu não tenho nada. Eu tenho que me cuidar”, declarou.

Durante a fala, Lula mencionou episódios históricos e recentes para justificar a preocupação. Ele lembrou a invasão conduzida por Solano López, então presidente do Paraguai, contra Brasil, Argentina e Uruguai, e citou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá.

“Agora mesmo o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá vai virar estado dele, quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, questionou Lula.

Ao se referir à fragata lançada em Santa Catarina, o presidente disse que o equipamento representa mais do que uma embarcação militar. Para ele, o projeto simboliza a retomada de uma política de defesa voltada à soberania nacional e à proteção dos interesses estratégicos do Brasil.

“Isso aqui para mim não é um navio, isso não é um monte de ferro com produto tecnológico de primeira linha. Isso é o começo de um país que vai assumir de fato e de direito o direito de ser soberano, de tomar conta do seu nariz e de estar preparado”, afirmou.

A fala ocorre em meio a um ambiente de tensão com os Estados Unidos, após a decisão do governo Trump de classificar facções brasileiras como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas. A medida foi interpretada por setores do governo brasileiro como um ponto sensível, diante do risco de uso político ou diplomático do tema para justificar pressões externas.

No discurso, Lula reforçou que a defesa nacional deve ganhar espaço no debate público e no planejamento do país. A inclusão do tema no programa de governo indica que o presidente pretende levar para a próxima disputa eleitoral uma agenda voltada ao fortalecimento das Forças Armadas, da indústria de defesa e da capacidade de proteção do território brasileiro.


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