Política / Internacional
Marco Rubio rejeita pedido de Flávio e mantém posição dos EUA sobre tarifas ao Brasil
Secretário de Estado respondeu carta do senador, defendeu investigações comerciais e citou críticas ao Pix e a outros pontos da política brasileira
26/06/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e manteve a posição do governo Donald Trump favorável à imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A resposta foi enviada na terça-feira, 23 de junho de 2026, segundo informação divulgada pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Na carta encaminhada no início de junho, Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, pediu que Washington desistisse do novo tarifaço contra o Brasil. O senador argumentou que a medida poderia causar “sérios danos” à população brasileira e sugeriu a criação de uma equipe de transição para aproximar um eventual governo seu da administração Trump.
Marco Rubio agradeceu a proposta, classificando-a como “generosa”, mas não indicou qualquer mudança na política comercial norte-americana. Na resposta, o secretário afirmou que as investigações conduzidas pelos Estados Unidos continuam apontando divergências consideradas relevantes em relação ao Brasil.
Rubio também elogiou o apoio de Flávio Bolsonaro à decisão norte-americana de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Apesar disso, deixou claro que a análise sobre possíveis sanções comerciais cabe ao escritório do USTR, órgão responsável pela política de comércio exterior dos Estados Unidos, comandado por Jamieson Greer.
Na resposta ao senador, Rubio reafirmou críticas a temas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
“O embaixador Greer deixou claro que permanecemos com diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação”, escreveu o secretário de Estado.
Rubio não fez convite direto a Flávio Bolsonaro, mas informou que qualquer interessado poderá participar da consulta pública e da audiência organizada pelo USTR. O processo prevê o envio de manifestações até 1º de julho e audiência pública em 6 de julho.
Após a resposta, o senador anunciou que viajará aos Estados Unidos para participar do encontro. Segundo ele, a intenção é tentar convencer autoridades norte-americanas a rever as propostas de taxação contra produtos brasileiros.
Uma das investigações abertas em 2025 propõe tarifa de 25% sobre produtos do Brasil. O procedimento cita preocupações relacionadas ao Pix, ao combate à corrupção e à proteção da propriedade intelectual. Outra apuração recomenda tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros países, sob alegação de falhas no combate à exportação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O caso ganhou peso político depois que Donald Trump publicou, no início de junho, uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro no Salão Oval, no mesmo período em que as conclusões das investigações comerciais vieram a público.
O governo Lula classificou as propostas de taxação como “injustificáveis” e acusou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuarem para favorecer medidas adotadas pelos Estados Unidos. A resposta de Marco Rubio indica, porém, que a articulação de Flávio não alterou, até o momento, a posição da administração Trump sobre o comércio com o Brasil.
Eis a íntegra da carta de Marco Rubio traduzida para o português:
“Prezado senador Bolsonaro,
“Obrigado por sua carta e por sua recente visita a Washington. Compartilho sua convicção de que a duradoura amizade entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer fundamentada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
“Aprecio profundamente seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Organizações Terroristas Estrangeiras Especialmente Designadas (Specially Designated Global Terrorists and Foreign Terrorist Organizations) nos termos da legislação dos Estados Unidos. Os Estados Unidos reconhecem que as redes criminosas violentas e sofisticadas desses grupos ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado. Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos adotando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o povo americano do crime organizado transnacional.
“Como o senhor observa, o Representante Comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, anunciou em 1º de junho de 2026 sua determinação de que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são desarrazoados ou discriminatórios e impõem ou restringem o comércio dos Estados Unidos. A proposta de medida de resposta e a audiência pública que será realizada sobre ela decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025 sob orientação específica do presidente Trump.
“O embaixador Greer deixou claro que continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nessa investigação. Essas questões dizem respeito ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais consideradas injustas, à aplicação das leis anticorrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.
“Qualquer parte interessada no Brasil poderá participar do período de consulta pública sobre a proposta de medida de resposta e da audiência pública que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos realizará em 6 de julho de 2026. O período de consulta pública permanece aberto até 1º de julho de 2026. Os pedidos para participar da audiência devem ser apresentados até 22 de junho de 2026.
“Os Estados Unidos continuam comprometidos com o objetivo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável. Observamos com otimismo sua expectativa em relação às próximas eleições de outubro e sua oferta generosa de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar um marco amplo, justo e mutuamente benéfico para o comércio e os investimentos.
“Espero dar continuidade ao nosso diálogo e aprofundar a parceria estratégica entre nossas duas grandes nações. Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.
“Atenciosamente,
Marco Rubio”
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