Palmas (TO), Quarta-feira, 15 de Julho de 2026

Política / Investigação

Foto de Flávio Bolsonaro com homem apontado como chefe de milícia privada repercute nas redes

Senador afirma que não conhece Luiz Phillipi Mourão, chamado de “Sicário”, e diz que imagem pode ter sido produzida por inteligência artificial

15/07/2026

13:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

Uma fotografia divulgada nesta quarta-feira (15) pelo portal ICL Notícias mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.

Mourão foi apontado pela Polícia Federal como chefe de uma estrutura de segurança privada ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O contexto exato em que a imagem foi registrada ainda não foi esclarecido.

Segundo o ICL, a fotografia teria sido obtida por meio de uma fonte que pediu anonimato. O registro teria sido feito em 2022, dentro de um hotel localizado na zona sul do Rio de Janeiro.

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não conhece Mourão e nunca o havia visto. A defesa do parlamentar argumentou que ele é abordado diariamente por pessoas que solicitam fotografias em locais públicos.

O senador também questionou a procedência do material e levantou a possibilidade de a fotografia ter sido produzida por meio de inteligência artificial.

Sites analisaram a imagem

O ICL informou que submeteu a fotografia a ferramentas digitais voltadas à identificação de possíveis manipulações ou geração por inteligência artificial. Conforme o portal, os sistemas utilizados não apontaram sinais de que a imagem tenha sido criada artificialmente.

O portal g1 também analisou o arquivo com ferramentas de checagem. De acordo com a publicação, os resultados indicaram baixa probabilidade de manipulação por inteligência artificial.

As análises automatizadas, entretanto, não permitem determinar o contexto do encontro, a data exata do registro ou se havia algum tipo de relação entre as pessoas fotografadas.

Quem era “Sicário”

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foi identificado pela Polícia Federal como coordenador do grupo chamado “A Turma”.

Segundo as investigações, a estrutura teria funcionado como uma milícia privada vinculada a Daniel Vorcaro, com atuação na obtenção irregular de informações, no monitoramento de pessoas e em supostas ações de intimidação.

Mourão foi preso em março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Horas depois da prisão, enquanto aguardava audiência de custódia na Superintendência da Polícia Federal, em Belo Horizonte, ele tentou tirar a própria vida dentro da cela.

Mourão foi socorrido e levado a uma unidade hospitalar. A morte cerebral foi confirmada dias depois.

De acordo com os investigadores, ele exercia uma função central na estrutura investigada. Mourão também acumulava antecedentes por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça.

Relação de Flávio com Daniel Vorcaro

A relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro tornou-se pública após a divulgação de mensagens e áudios relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As informações foram publicadas inicialmente pelo site Intercept Brasil e posteriormente confirmadas pela TV Globo.

As mensagens indicaram que Flávio Bolsonaro procurou Vorcaro em busca de recursos para a produção. Segundo o Intercept, o empresário teria realizado aportes de aproximadamente R$ 61 milhões, entre fevereiro e maio de 2025.

Os valores teriam sido transferidos para um fundo localizado nos Estados Unidos e vinculado ao projeto cinematográfico.

Após a divulgação do material, o senador confirmou que pediu apoio financeiro ao banqueiro, mas negou qualquer irregularidade.

Flávio Bolsonaro afirmou que não mantinha relações indevidas com Vorcaro e sustentou que os contatos entre ambos se limitaram ao financiamento da produção sobre o ex-presidente.

Nota de Flávio Bolsonaro na íntegra

“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória.

Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por Inteligência Artificial.”

 


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