Política Internacional
Lula critica Trump e pede que republicano “se comporte como chefe de Estado” às vésperas da Assembleia da ONU
Petista cobra diálogo civilizado entre Brasil e EUA e rebate tarifas impostas por causa do julgamento de Bolsonaro
23/09/2025
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
De Nova York, onde abre nesta terça-feira (23) a Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o presidente norte-americano, Donald Trump, por atrelar a relação bilateral ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro se tornou o epicentro da disputa diplomática entre Brasília e Washington.
“Acho que o presidente Trump precisa ter o comportamento de um chefe de Estado, de um estadista da maior economia do mundo, da maior potência militar do mundo, do país mais tecnológico do mundo”, disse Lula em entrevista à emissora norte-americana PBS, exibida nesta segunda-feira (22).
Segundo Lula, o argumento de Trump de que as tarifas contra o Brasil visam proteger a economia americana é insustentável. O petista lembrou que os EUA acumularam superavit comercial de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos, afastando a justificativa de déficit.
“Ele [Trump] se coloca como imperador, o dono do mundo”, afirmou Lula, ao comentar as medidas unilaterais anunciadas pelo republicano.
Lula defendeu que os dois países, as “maiores democracias e economias das Américas”, mantenham um relacionamento institucional e civilizado.
“Um chefe de Estado tem que ter uma relação com outro chefe de Estado, independentemente de suas posições políticas. Tudo pode ser resolvido em uma mesa de negociação. Uma mesa não destrói uma ponte, não mata uma única pessoa”, disse o presidente.
Ele ainda destacou que nunca conheceu Trump pessoalmente:
“As pessoas perguntam: você gosta ou não do presidente Trump? Nunca conheci o presidente Trump, então não é uma questão de gostar ou não dele. Ele também não me conhece.”
Na entrevista, Lula também abordou o “Plano Punhal Verde e Amarelo”, revelado nos autos do processo, que previa seu assassinato, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. Para o petista, o julgamento de Bolsonaro foi “extraordinário” e respeitado internacionalmente.
Desde que desembarcou nos EUA, Lula já discursou em conferência sobre a Palestina e se reuniu com o diretor-executivo do TikTok para discutir regulação de redes sociais. Nesta terça-feira, ele será o primeiro chefe de Estado a falar na tribuna da ONU, seguido por Trump, mantendo a tradição de Brasil e EUA abrirem os discursos da Assembleia desde 1955.
O presidente também terá encontro bilateral com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e retorna ao Brasil na quinta-feira (25).
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