Opinião / Trânsito
Brasil ainda trata mortes no trânsito como fatalidade, afirma especialista
Artigo defende fiscalização inteligente, uso de tecnologia e mudança de postura para reduzir número de vítimas nas rodovias
27/07/2026
18:30
PAULO BURITI*
PAULO BURITI*
O Brasil continua entre os países com maior número de mortes no trânsito e ainda encara boa parte dessas ocorrências como fatalidades inevitáveis. A avaliação é do gerente corporativo da Corpvs, Paulo Buriti, que defende uma mudança de postura do poder público e da sociedade para enfrentar o problema como uma questão de saúde pública.
Segundo o especialista, o país registrou mais de 72 mil sinistros e mais de 6 mil mortes em rodovias federais em 2025. Enquanto isso, nações como Suécia, Noruega e Japão conseguiram reduzir pela metade o número de vítimas ao adotar políticas permanentes de prevenção e fiscalização.
Para Buriti, o maior desafio não está na legislação brasileira, mas na falta de fiscalização contínua e eficiente.
"O problema não está na lei. Dirigir alcoolizado, usar celular ao volante e realizar ultrapassagens proibidas já são condutas previstas e punidas. O que falta é transformar a fiscalização em uma presença constante, capaz de mudar comportamentos antes que ocorram as tragédias", afirma.
O artigo destaca que diversos países passaram a utilizar sistemas de monitoramento com inteligência artificial para identificar infrações e comportamentos de risco em tempo real, permitindo uma atuação preventiva.
Entre as condutas monitoradas estão excesso de velocidade, uso do telefone celular durante a direção, mudanças bruscas de faixa e distrações do motorista.
O texto também chama atenção para a fadiga como uma das principais causas de acidentes graves envolvendo caminhões e ônibus nas rodovias brasileiras.
Segundo Buriti, jornadas prolongadas, pressão por produtividade e descanso insuficiente continuam fazendo parte da rotina de muitos motoristas profissionais, aumentando significativamente o risco de acidentes.
Ele ressalta que tecnologias de videotelemetria e visão computacional já conseguem identificar sinais de sonolência e perda de atenção, emitindo alertas antes que o motorista perca o controle do veículo.
Para o especialista, essas soluções já apresentam resultados positivos no setor privado, mas ainda são pouco incorporadas às políticas públicas de segurança viária.
"O desafio atual deixou de ser tecnológico. As ferramentas existem e já demonstram capacidade de reduzir acidentes. O que falta é ampliar sua utilização e aproximar essa experiência das políticas públicas", argumenta.
Ao concluir o artigo, Buriti defende que cada morte no trânsito decorre de fatores identificáveis e, portanto, pode ser evitada.
"O Brasil já possui dados, tecnologia e legislação para enfrentar esse problema. Falta tratá-lo como o que realmente é: uma emergência de saúde pública", conclui.
*Paulo Buriti é gerente corporativo da Corpvs, empresa especializada em soluções de monitoramento e segurança patrimonial.
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