Política Nacional
Planalto atua para reduzir tensão com Congresso e acelerar votações antes do recesso
Governo busca avanço em pautas prioritárias, incluindo PEC da Segurança Pública, medidas contra devedores contumazes e revisão de benefícios tributários
30/11/2025
07:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou articulações para conter o desgaste acumulado nas últimas semanas com a cúpula do Congresso Nacional e tenta destravar votações consideradas essenciais antes do recesso parlamentar, que começa em 23 de dezembro. A estratégia envolve diálogo direto com lideranças, redefinição de prioridades legislativas e apaziguamento das disputas que tensionaram a relação entre Executivo e Legislativo.
No Senado, o atrito se agravou após o Planalto indicar Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), contrariando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco. O descontentamento ficou explícito na derrubada de vetos da Lei do Licenciamento Ambiental e na aprovação de uma pauta-bomba no plenário.
A tensão cresceu também com a limitação no fluxo de comunicação entre líderes do governo e as mesas diretoras das duas Casas.
Na Câmara dos Deputados, o clima ficou mais pesado após o rompimento entre o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), desencadeado por críticas públicas feitas pelo petista durante a tramitação do PL Antifacção.
Apesar do cenário de conflito, auxiliares de Lula afirmam que o “auge da tensão” já passou.
Na quarta-feira (26/11), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se reuniu com Hugo Motta para pedir prioridade a três projetos antes do recesso:
PEC da Segurança Pública, principal aposta do governo para melhorar sua avaliação na área.
Projeto sobre o devedor contumaz, endurecendo regras contra empresas que acumulam dívidas e não regularizam a situação — tema reacendido pela operação da Receita Federal contra o Grupo Refit.
Projeto que reduz gradualmente benefícios tributários, financeiros e creditícios, peça central da política fiscal da gestão Lula.
Gleisi também solicitou o avanço da discussão e votação da LDO e da LOA para 2026.
No dia seguinte ao encontro, Hugo Motta designou o deputado Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) como relator do PL do Devedor Contumaz, cuja votação o governo tenta viabilizar desde 2023.
Na sexta-feira (28/11), Motta anunciou que a PEC da Segurança Pública avançará na Câmara. O relator, Mendonça Filho (União Brasil-PE), deve apresentar seu parecer na comissão especial na quinta-feira (4/12). Em gesto político, Motta afirmou que “segurança é nossa prioridade”, tentando reforçar uma agenda positiva após o desgaste causado pela aprovação da PEC da Blindagem.
No Senado, o governo tenta esfriar ânimos após os episódios recentes. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (AP), elogiou a condução de Davi Alcolumbre na sessão de análise de vetos e frisou que havia acordo prévio sobre vários itens.
Randolfe ainda minimizou a crise entre os Poderes e afirmou esperar uma conversa entre Lula e Alcolumbre para pacificar a relação:
“Tenho certeza de que haverá um momento em que o presidente Lula e o presidente Davi irão conversar. Não há controvérsias nem dificuldade para isso. Essa situação é circunstancial e será sanada tão logo haja diálogo.”
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