Política / Justiça
Cancelamento de reunião sobre código de ética expõe isolamento de Edson Fachin no STF
Encontro poderia ter quórum mínimo e debate foi adiado diante de desgaste e risco de politização
05/02/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O cancelamento da reunião convocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para discutir a criação de um código de ética para ministros da Corte, evidenciou o isolamento do magistrado dentro do colegiado. Segundo ministros ouvidos reservadamente, o encontro, previsto para a próxima quinta-feira, corria o risco de ter quórum de apenas dois integrantes, incluindo o próprio Fachin.
Na avaliação interna, o cenário revelou dificuldades de articulação do presidente do STF após a condução pública do debate sobre o tema. Mesmo entre ministros que defendem a adoção de regras mais claras de conduta, há a percepção de que a discussão ganhou exposição excessiva, ampliando o desgaste da imagem institucional do tribunal.
Diante desse contexto, a reunião acabou sendo cancelada — informação antecipada pelo jornalista Octavio Guedes.
Dentro do STF, há um grupo de ministros que considera fundamental estabelecer um regramento específico para evitar novos questionamentos públicos e ataques à Corte motivados por condutas individuais de seus integrantes. Para essa ala, um eventual código de ética funcionaria como instrumento de blindagem institucional, preservando a credibilidade do tribunal.
Por outro lado, o risco de politização do debate pesou na decisão de adiar a discussão. Parte dos ministros avalia que o tema pode ser explorado eleitoralmente, sobretudo às vésperas das eleições de outubro, transformando o STF em alvo de campanhas políticas, especialmente de candidatos ao Senado.
Há consenso, entre alguns magistrados, de que o debate sobre o código de ética deverá ser retomado apenas após o processo eleitoral, em um ambiente considerado menos contaminado por pressões externas. Um dos ministros ouvidos afirmou que, apesar das divergências, o código será importante no futuro para proteger o próprio tribunal de questionamentos éticos envolvendo seus membros.
Já um segundo grupo dentro do Supremo entende que as normas atuais da magistratura já se aplicam aos ministros do STF, tornando desnecessária a criação de um novo código específico. Para esses ministros, qualquer iniciativa sobre o tema deve partir do próprio tribunal, e não do Congresso Nacional, como forma de preservar a autonomia institucional da Corte.
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